20 dezembro 2009

Entrevista


Magnun: O que é intervenção cênica para você?

Thiago: Para mim, o termo “intervenção cênica” está relacionado a uma representação teatral, de dança ou circense realizada em espaços a princípio não pensados para esse tipo de ação. Intervir segundo minha compreensão é provocar uma ruptura numa ordem estabelecida (social, arquitetônica, política, artística…). Então quando falo em intervenção cênica, penso numa ação artística ligada às artes cênicas e realizada em espaços não-convencionais. Intervir, para mim, tem relação direta com o rompimento do uso convencional do espaço e da ordem social.


Magnun: Por que faz intervenção?

Thiago: Pela possibilidade diferenciada (em relação aos espetáculos de palco) de provocar um impacto junto ao público. Intervindo, rompendo com certa ordem estabelecida, é possível surpreender com mais força e gerar discussões mais imediatas sobre a sociedade em que vivemos.

Magnun: O que acha mais importante quando esta intervindo?

Thiago: A relação com o público. Perceber como reagem às ações, ao inesperado, ao inusitado.


Magnun: Fale o que quiser sobre as ações intervencionistas da Cia do Chapéu.

Thiago: Percebo como um trabalho que ainda é tímido, porém bastante relevante no contexto das artes em Alagoas. Realizar esse tipo de trabalho numa cidade ainda fortemente ligada à cultura do teatro de palco, não raras vezes tendo o texto dramatúrgico como eixo da obra; representa, a meu ver, um diferencial, em termos de abordagem junto ao público e especialmente no que se refere ao sentido e ao significado da Arte. A Cia. do Chapéu iniciou seu trabalho com as intervenções de maneira instintiva e aos poucos foi agregando e organizando o conhecimento em torno dessas experiências e hoje eu creio que há mais propriedade nos seus trabalhos, inclusive nos espetáculos teatrais.

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