domingo, 20 de dezembro de 2009

Entrevista


Magnun: O que é intervenção cênica para você?

Thiago: Para mim, o termo “intervenção cênica” está relacionado a uma representação teatral, de dança ou circense realizada em espaços a princípio não pensados para esse tipo de ação. Intervir segundo minha compreensão é provocar uma ruptura numa ordem estabelecida (social, arquitetônica, política, artística…). Então quando falo em intervenção cênica, penso numa ação artística ligada às artes cênicas e realizada em espaços não-convencionais. Intervir, para mim, tem relação direta com o rompimento do uso convencional do espaço e da ordem social.


Magnun: Por que faz intervenção?

Thiago: Pela possibilidade diferenciada (em relação aos espetáculos de palco) de provocar um impacto junto ao público. Intervindo, rompendo com certa ordem estabelecida, é possível surpreender com mais força e gerar discussões mais imediatas sobre a sociedade em que vivemos.

Magnun: O que acha mais importante quando esta intervindo?

Thiago: A relação com o público. Perceber como reagem às ações, ao inesperado, ao inusitado.


Magnun: Fale o que quiser sobre as ações intervencionistas da Cia do Chapéu.

Thiago: Percebo como um trabalho que ainda é tímido, porém bastante relevante no contexto das artes em Alagoas. Realizar esse tipo de trabalho numa cidade ainda fortemente ligada à cultura do teatro de palco, não raras vezes tendo o texto dramatúrgico como eixo da obra; representa, a meu ver, um diferencial, em termos de abordagem junto ao público e especialmente no que se refere ao sentido e ao significado da Arte. A Cia. do Chapéu iniciou seu trabalho com as intervenções de maneira instintiva e aos poucos foi agregando e organizando o conhecimento em torno dessas experiências e hoje eu creio que há mais propriedade nos seus trabalhos, inclusive nos espetáculos teatrais.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



No dia 21 de dezembro no Museu Théo Brandão a Cia. do Chapéu realiza o Chá da Tarde, a partir das 18h. O evento que acontece desde 2007 promove discussões sobre as produções artíticas locais de 2009 e festeja a chegada de 2010.

Durante o evento acontecerão:
mesas temáticas relacionadas as produções artísticas, intervenções cênicas, exibição de videos produzidos aqui em Alagoas, exposição dos cartazes dos espetáculos do ano, apresentação musical do grupo Sambade 2 e discotecagem com os Djs Laetitia.

Entrada Franca

Obs.: a confraternização é coletiva e cabe a cada um levar opções de lanche.

=)

espero todos lá.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Entrevista

Intervenção Vende-se esse Rio
Interventor: Donda Albuquerque
Foto de Isaac Feitosa


Magnun: O que é intervenção cênica para você?

Donda: O ato de mexer no cotidiano, mobilizando a sociedade a pensar de uma forma diferenciada do dia-a-dia, fazendo-a questionar tanto a sua postura, quanto ao que a cerca. Este ato é revolucionário, acionário, ativista, político apartidário, social, cultural, artístico e acima de tudo humano.

Magnun: Por que faz intervenção?

Donda: Comecei a perceber que tenho a visão acomodada. Eu via pessoas, acontecimentos, atrocidades, infâmias e não me dava conta que não os percebia como verdadeiramente são e o tudo que causava. Acredito que quando constatamos algo, que em nosso julgamento, é errado, temos o dever moral e ético de fazer algo que mude, concerte, ou que pelo menos deixe todos conscientes do que está acontecendo. Por ser artista vejo a intervenção como um excelente veículo para essa mudança de olhar, uma provocação na inércia da sociedade.

Magnun: O que acha mais importante quando esta intervindo?

Donda: Que a questão escolhida para ser discutida na intervenção seja realmente executada. É muito importante estarmos atentos e focados na ideia que queremos discutir com a intervenção. Logo a ação pré-concebida se torna frágil, a ação é o meio de alcance, mas é preciso que o interator esteja atento em todos os aspectos da intervenção para que o foco permaneça, nem que isso altere a ação.

Magnun: Fale o que quiser sobre as ações intervencionistas da Cia do Chapéu.

Donda: Acredito que no momento estamos dispersos com a realização das intervenções. O que é engraçado, visto que em um momento anterior na história da Cia. do Chapéu que foram as intervenções que nos mantiveram juntos quando estávamos dispersos. Acredito que relaxamos um pouco determinando o período certo para realizarmos intervenções – Jornada de Intervenções – gostaria que pudéssemos fazer mais intervenções durante todo o ano e usar a jornada como uma “mostragem” concentrada desta ação que é tão importante para a companhia já que foi através das intervenções que surgimos e nos mantivemos juntos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Hoje começa outra noite de bebida aqui no bar"




Esse é o "chamado" para apreciar o musical "Uma noite em Tabariz".

Nos dias 22 e 29 de outubro no Mandala Café e Restaurante, localizado
no Centro de Maceió - próximo ao Teatro Deodoro, o espetáculo da
Cia. do Chapéu voltará a se apresentar.
Com letra de Luiz Sávio de Almeida e música de Mácleim,
os musicistas e atores da Cia. criam e recriam sons e personagens
inspirados no antigo bordel de Maceió, o Tabariz.
Entre os passos de tango e a música o espetáculo se apresenta em um cenário
mais próximo do seu contexto histórico, não necessariamente um bordel,
mas um bar que traz em sua estética um lugar totalmente revitalizado
dando vida ao Centro de Maceió.
Com o Projeto Mandala Cultural além de "Uma noite em Tabariz" terá em seu
cenário exposição de 3 artistas plásticos: Agélio Novaes,Lula Nogueira e Siloé Amorim.

Não deixe de atender esse chamado...
a partir das 21h estaremos à sua espera...
ingressos podem ser adquiridos no local...

Mais informações: (82) 8863-9601/9969-4365/9913-7794

Produção Executiva: Alexandre Holanda

*As fotos utilizadas nessa postagem são de Bárbara Esteves e Raul Spinassé.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009




Nos dias 26 de agosto e 02 de setembro o palco do Teatro de Arena Sérgio Cardoso apresenta o espetáculo Uma Noite em Tabariz, da Cia. do Chapéu, as 19h30. O musical é composto por várias situações que se passam no bordel Tabariz, personagens fictícios mostram suas histórias circulando entre a música, a dança e o teatro.


Com uma mistura de ritmos os personagens narram a boemia do bairro Jaraguá, em Maceió; retratando cenas que entrelaçam prostitutas e seus amantes de maneira inusitada, cantando e atuando suas próprias vidas.


O espetáculo aborda com sutileza questões sociais que envolvem os dramas e as alegrias dos personagens, suas angústias, confusões, seus conflitos e emoções que se estendem e encantam, tanto quem viveu no início da formação dos bordéis da cidade, quanto os interessados em conhecer essa realidade tão pouco mostrada com uma beleza poética original e a uma musicalidade diversificada.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Entre putas e cacos...


TABARIZ...
Uma novo caminhar da Cia do Chapéu....
Obra do autor zeloso Luis Sávio de Almeida e do compositor provocativo Mácleim...
Estórias e Histórias se cruzam entre dores e amores...
Amor não consola o coração,
de quem nasce amargurada...
Eu sigo na vida vivendo,
amando sem ser amada...
Sou uma roupa lavada,
pendurada no varal...
Que o vento bate e suja,
no rolo do vendaval...
Sou um pedaço de vida,
pingando em maresia,
um pedaço de tecido que já foi fantasia...
Se gemo, gemo tristonha...
Como geme uma fronha, que não tem mais serventia...
Como geme o lençol,
em que o amor se acabou...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Acordados...

Enquanto, como diz Thiago, Alice!? dorme... Sonha... Tabariz acorda e traz consigo a vontade e curiosidade de quem acabou de acordar e percebeu que há um vazio em seu estômago... vazio a ser preenchido... e esvaziado... e preenchido... Com toda comida que lhe caiba a matar esta fome... de comer... de comida!

O vazio se questiona... O que comer? Raparigas? Putas? Mocinhas? Médicas? Cornos e capados? Mortos? Bêbados?

E por falar em bebida... Garçom!!! Bebida, por favor... Para nos ajudar a mastigar, triturar todas as possibilidades de alimento...

... que alimente a nossa arte... e o mais novo processo!

Alice!? Não será em nossas vidas o começo de um fim, Nem o fim de um começo... Mas será Tabariz o começo de um início sem fim...” O que você quer dizer? Explique-se! Não posso... É que ontem eu fui dormir Alice!? e hoje eu acordei Tabariz...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sonhando...

No último dia 30 de maio, encerramos a temporada do espetáculo "Alice!?", no Teatro SESC Jofre Soares. Foi a 7ª temporada do espetáculo desde sua estréia em 2007.

De lá para cá, essa garotinha curiosa viveu aventuras ora divertidas, ora bem difíceis, mas ambas inesquecíveis. Ela que nasceu num quarto minúsculo de quintal e se desenvolveu na sala de ensaio do CENARTE, teve sua primeira bilheteria quase que totalmente roubada, num assalto à mão armada; teve as roupas rasgadas, mas ganhou novas em seguida; tirou fotos e mais fotos; leu o poema de abertura das mais diversas formas; tomou chá na platéia e depois no palco; viajou por Matriz de Camaragibe e por São Miguel dos Campos; e, claro, correu por boa parte de Maceió atrás do Coelho falante perguntando como chegar no teatro... E chegou. Apresentou-se no Centro Cultural SESI, no SESC Centro, numa quadra de escola, num mini auditório e também no Teatro de Arena.

Agora Alice pede licença para adormecer depois dessa jornada de dois anos de muita correria. Agora ela sonha com outros jardins esquesitos, com outras terras, com outros teatros...

A Cia. do Chapéu diz até logo para Alice. Que ela descanse para que num futuro não tão distante possa despertar e reencontrar a Lagarta, o Coelho, a Duquesa, o Gato, a Lebre, o Chapeleiro e a Rainha e, evidente, o público!

Nos encontramos num novo processo criativo e portanto será preciso administrar o tempo para evitar desgastes desnecessários. Alice não morreu, apenas dorme, sonha...

Essa sua última temporada foi possível mediante muito trabalho, mas também muito prazer. Para isso contamos com o importante apoio do SESC Alagoas, da Secretaria da Cultura do Estado, UFAL, Instituto Zumbi dos Palmares, TV Alagoas, Serconta Contabilidade; Usagi Produções Audiovisuais; Urucun Estúdio, CESMAC, Saudáveis Subversivos e de todos que nos prestigiaram. Nosso muito obrigado a todos vocês!

Forte abraço e até já!

sábado, 9 de maio de 2009

De vento em polpa

Os ensaios de Uma noite em Tabaris começaram. Um novo espetáculo sempre me dá um novo gás, um renovado sentimento de realização e me trás perspectivas positivas de constante movimento artístico. Mostra-me que depois de Alice!? realmente acordamos da dispersão e que estamos cheios de vontade para esse ano, que por sinal, não será fácil. Encarar dois novos processos criativos e ainda manter os ensaios de Alice!? ao menos até o fim da temporada de maio, mostra que realmente o que não nos falta é disposição e muita vontade de fazer cada vez mais e juntos.
Este ano também marca uma abertura dentro da Cia. do Chapéu. Três artistas convidados, dois em Tabaris e um em Procurados. Estamos nos proporcionando novos encontros com pessoas diferentes, pensamentos e fazeres diferentes. Além dos encontros, as parcerias se mostram mais presentes, Canel Junior (sempre amigo) através de seu Studio, Usagi produções audiovisuais; Tércio Smith, que nos preparará vocalmente para o canto. Também estaremos estreitando laços com alguns grupos locais com reuniões sistemáticas, de início a Associação Teatral Joana Gajuru.

Pois é! Um ano cheio de trabalhos e possibilidades. Venham fazer parte destes encontros também.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Alice!?

desenho de Pedro Lucena


Juntos naquele quarto apertado

Suávamos de tanto ensaiar,
Pois eram ideias gigantes,
Que vinham à mente perturbar,
Enquanto aulinhas de corpo
Ajudavam a nos preparar.

Ah, cruel texto! Naquele decorar,
Sob longas leituras, no quintal,
Selecionar umas cenas, sempre atentos
Que sequer um intervalo pudesse rolar!
Mas que pode um pobre diretor
Contra barrigas a roncar?

Imperiosa, Tácia estabelece:
"Lanchar já!"; enquanto Donda,
Mais brandamente, encarece:
"Que não seja pão com manteiga!"
E Thiago atendendo aos palpites oferece,
"Tem mortadela, só um minuto!"

Depois, de breve intervalo forçado,
Vão em fantasia criando
As personagens e sua jornada
Por uma nova cena ensaiada,
A tagarelar o texto pela sala
- Soltam pérolas e dão mancadas.

E sempre que nos ensaios esgotava
Os poços da fantasia,
E debilmente eu ousava provocar,
Na busca de o ensaio perdurar:
"Passar mais uma vez..." "Agora não, depois!"
Ouvia o elenco inteiro a gritar.

Foi assim que bem devagar,
Nosso espetáculo foi montado,
Cenário e figurino vindo à cena se juntar
- E agora que a história está pronta,
Acende o palco, ô da técnica!
Para cena! O foco ilumina, não pode se apagar.

Platéia! Receba este conto de fadas
E assista a cada cena interligada
Com o elenco de primeira,
Que a Cia. do Chapéu te oferece,
Como um trabalho de ensaios árduos que
No corpo dos atores permanece.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Chapeleiro Thiago responde...


O que é ser chapeleiro? É ser criativo, amigo, companheiro, divertido, ousado, é ter interesse em aprender mais, em trocar idéias e experiências, é ser fechado, de vez em quando, é torcer pelo melhor, é brigar pelo melhor. É se preocupar com o outro. É saber aprender com os erros pra errar menos. É levar Arte a sério, mas com muito bom humor!

O que você busca no teatro? Eu busco os encontros que só teatro permite. Encontro do diretor com o ator, do ator com a platéia, da platéia com o elenco, com dramaturgo, cenógrafo, bailarino, coreógrafo... Busco as possibilidades de criação com os diversos profissionais que encontro nos processos e na vida.

Que momento pra você foi marcante no grupo? As semanas antes da estréia de "Alice?!" quando foi possível perceber a força que um processo criativo instigante pode exercer sobre quem está envolvido. Perceber que um processo que começou com apenas 3 pessoas, num quartinho de 9m², envolveu tanta gente com todo o interesse em construir junto, saindo do quartinho para uma sala de ensaio decente até sua estréia. Foi importante, porque significou um momento de guinada do grupo, que estava disperso e apático. E agora recobrou um pique cheio de gás.

Você tira o chapéu para? Para todos os amigos que o teatro me permetiu fazer.

Você não tira o chapéu para? Para quem subestima o poder da Arte.

sábado, 18 de abril de 2009

De um Xuxu no Grupo


Estive pensando em quem escolher como alvo do minha primeira postagem, pós intervalo virtual. Depois de um tempo refletindo, elegi Isaac. Xuxu, como é mais conhecido por quase todos, é um ex-integrante da Cia. do Chapéu. Ele esteve conosco desde a fundação do grupo e nos pediu licença para tentar a vida na cidade grande, vulgo São Paulo. E lá ele está, desde abril de 2008. Acho que é isso. Durante sua passagem pela Cia. muitas coisas se sucederam e sua presença nunca foi apática, nem digna de indiferença, ao contrário, Isaac Xuxu (alguns unem nome e apelido também) sempre sucitou diversos questionamentos e reflexões ao longo da nossa ainda recente história. Especialmente no tocante a fazer parte de um grupo.

Estar em grupo sempre foi muito prazeroso para mim. Ao meu ver, para criar coletivamente com êxito é exigido de qualquer grupo, objetivos claros, desejos comuns, afinidades ideológicas, afetividade recíproca e respeito à individualidade. Provavelmente existam outras caracetísticas tão importantes quanto, mas creio que essas sejam bem básicas e suficientes para começar! Lidar com ruídos existentes e inevitáveis até chegar a denominadores comuns, como os citados anteriormente, sempre me pareceu o mais instigante na prática da coletividade. Afinal, nem sempre os objetivos estão tão claros para todos, os desejos comuns não dizem respeito à prática criadora, as idéias se confundem e, se bobear, na primeira discussão qualquer carinho e respeito vão "pras cucuias" (eu sempre quis usar essa expressão, ela é ótima!).


E Isaac sempre foi craque em nos colocar frente a situações de desequilíbrio e embora isso me irritasse em demasia, hoje reconheço um valor positivo no que passamos juntos. Pois compreendi que os embates surgidos a partir de posturas e colocações de Isaac, nos auxiliaram e muito em nossa autoafirmação, em nosso desejo de acertar, em exercitar nosso senso de justiça e nossa criatividade. Não que somente Isaac provocasse momentos desconfortáveis, mas realmente havia uma disparidade em relação aos outros, sei lá exatamente por quê. Talvez pela história de vida, pelos diferentes níveis de maturidade de cada um ou por nada disso... Não sei.


Porém, não se trata de depreciar a imagem do coleguinha nem tão pouco jogá-lo na berlinda logo agora que ele nem é mais do grupo, apesar de ser constantemente comentado e saudosamente lembrado com muito carinho por todos! A questão aqui é tê-lo como inspiração para discutir algo maior: a vivência em grupo! A presença dele em nossas vidas. Espero inclusive que ele leia essa postagem e teça algum comentário sobre a experiência como chapeleiro (que ele ainda é, em nossos corações, com todo direito a pieguice que essa expressão traz).


A Cia. do Chapéu surgiu num momento em que todos do grupo naquele momento estavam afim de arriscar. De ousar. De mostrar trabalho. De criar. Porém, anterior a esse desejo comum já existia certa afetividade entre nós. Já havíamos trabalho juntos com outras pessoas, com outros grupos e de lá em diante passamos a nos encontrar com certa frequencia para conversar, rir, discutir teatro e, nisso, víamos crescer certa afinidade de idéias, de vontades... Isaac apareceu nesse momento. Ao contrário dos demais, Isaac não estava na Universidade, não conhecia mais ninguém do teatro além de mim e mesmo assim muito superficialmente. Ele e eu estudamos no mesmo colégio, mas em turmas e séries diferentes. Tínhamos apenas alguns amigos em comuns.


Uma noite qualquer, meu telefone tocou e era Isaac, uma pessoa que eu mal falava, que inclusive nem tinha meu número até aquele momento, e só o conseguiu por meio do Canel (um outro amigo que também merece um post, num futuro próximo, quem sabe). Isaac se apresentou, eu fiquei surpreso e ele, timidamente, me pediu conselho ou sugestões de que caminhos podia tomar para fazer teatro, porque era aquilo que ele queria da vida e desde o colégio não tinha mais contato com a arte e tal, e eu fui a primeira pessoa que ele pensou em procurar para tentar ajudá-lo...... Bom, depois daquela surpreendente revelação e apelo apaixonado, não podia negar auxílio, dentro das minhas possibilidades. Então falei do Curso de Formação do Ator da UFAL e também o convidei para acompanhar, acho que a nossa segunda intervenção, no centro da cidade.


Naquele tempo a gente não chamava o que fazíamos de intervenção. Para nós era improvisação, era jogo, era sei lá, uma manifestação despretensiosa da nossa vontade de sermos artistas. O fato é que íamos ao centro da cidade, ler poemas para quem passava, cantar, dançar, encenar, sem aviso prévio e sem ensaio. Chegávamos, agíamos e partíamos.


Depois daquele dia, Isaac, então, se tornou uma companhia constante. Entrou para o Curso de Formação do Ator. Participou da fundação da Cia. Passou no vestibular para faculdade de Teatro Licenciatura. Fez raiva. Nos fez rir. Chorou. Emocionou. Ameaçou sair. Sofreu ameaça de sair. Mas, no final das contas, sempre esteve conosco. Sempre estivemos juntos, mesmo arengando, em grupo. Mesmo ele em Sampa e nós aqui.


Lembrar da trajetória de Isaac na Cia. é lembrar de surtos criativos e divertidíssimos, de ensaios estressantes, de conversas deliciosas, de cenas impagáveis, de porres reveladores, de perigosas aventuras, de micos inenarráveis, da relação discurso x prática, ou seja, das dores e sabores de se estar em grupo. Nem sempre temos êxito em nossas criações, mas nunca deixamos de criar! Hoje reconheço que Isaac de um jeito ou de outro colaborou e muito na preservação do nosso estímulo à criação! Definitivamente não passamos impunes na sua vida. Em compensação, sua passagem pela Cia. do Chapéu é algo do qual, sem sombra de dúvidas, nos orgulhamos muito.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Em 2009...


Algumas ações para 2009 foram traçadas:

· Alice?! - Faremos mais uma temporada em maio nos dias 15, 16, 22, 23, 29 e 30; no Teatro Jofre Soares – SESC Centro, às 19hs, com o apoio de SESC Alagoas, Usagi produções Audio-visuais e IZP. Ingressos: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 estudante e comerciário. Possivelmente a ultima temporada do ano em Maceió, portanto quem ainda não assistiu, vá nos ver, ou que já viu é uma ótima oportunidade de ver novamente. Após essa temporada iremos batalhar com Alice?! Em festivais e apresentações esporádicas nos interiores.

· Uma noite em Tabaris – A estréia acontecerá no projeto Quartas no Arena nos dias 26 de agosto e 02 de setembro. Um musical genuinamente Alagoano, texto de Sávio de Almeida, músicas de Maclem e direção de Tácia Albuquerque. Veja a programação completa do sítio virtual: http://www.webclic.com.br/teatro/noticias/mostranoticia.asp?noticia=noticia1.asp

· Procurados – Um novo projeto de montagem cênica para estréia no fim do ano. Aguardem mais informações.

· Jornada de intervenções – No mês de novembro estaremos realizando a terceira edição da Jornada de Intervenções. Um mês inteiro de intervenções cênicas e urbanas, realizadas diariamente em todos os lugares, ônibus, centros comerciais, filas de banco, rua, praças... não percam. www.jornadadeintervencoes.blogspot.com

· Chá da tarde – Encontro de grupos de artes cênicas para fazer uma retrospectiva da produção feita no ano, este ano também será a sua terceira edição. Contamos com a participação de todos os grupos, nos mande a sua produção anual, inclusive os grupos interessados em nos ajudar a realizar o encontro, trabalhando junto conosco entre em contato com a gente pelo e-mail: ciadochapeu@gmail.com.

2009 a Cia. do Chapéu está mobilizada em novos trabalhos e parcerias. Entre em contato com a gente para maiores informações.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Chapéu Justifica...




O que motiva a realização desse projeto é a possibilidade de discutirmos de uma maneira pouco experienciada pelos artistas atuantes em Alagoas, o papel da Arte contemporânea, seu espaço de ocupação e sua relação com o público.


O Mês das Intervenções é uma ação iniciada em 2007, a princípio com o propósito de uma investigação particular da Cia. do Chapéu, mas que hoje ganha um outro perfil, o de mobilizar a classe artística alagoana num movimento que tome a cidade com obras de arte diversas, chegando mais próximo do público, exigindo dele uma posição menos contemplativa e mais participativa.


Uma vez que em Alagoas, o objeto artístico é ainda pensado para espaços específicos, como teatro, salas de cinema e museus, a Cia. do Chapéu se propõe repensar o espaço da Arte, ocupando, muitas vezes de forma fortuita e quase imperceptível, ruas, paradas de ônibus, praças, praias, ônibus coletivos, com ações extra-cotidianas, objetos artísticos, poesia, música, dança, que provoquem um estranhamento em quem esteja presente ou passando e o possibilite também compor essa manifestação, sendo elemento essencial na realização da mesma.


Nos propomos a essa experiência por acreditarmos no potencial criativo dos artistas alagoanos e dos não alagoanos residentes em nosso Estado, por acreditarmos no poder da criação artística coletiva como transformadora de pensamentos e posicionamentos diante da vida e, finalmente, por acreditarmos que a Arte produzida em Alagoas é antes de mais nada uma Arte produzida no mundo.


JORNADA DE INTERVENÇÕES



JORNADA DE INTERVENÇÕES!!

De 01 a 30 de Novembro de 2008.


A Cia. do Chapéu convida os artistas das mais diversas áreas a participarem da Jornada de Intervenções!

ENCONTRO DE PLANEJAMENTO

30/10/2008 QUINTA-FEIRA 16h00

NO ESPAÇO CULTURAL - SALA 23 (LABORATÓRIO DO CORPO I)

MAIS INFORMAÇÕES: 88639601 /30336558/99050575

sábado, 23 de agosto de 2008

Amores chapeleiros...


Tanto amor, prazer e felicidade em estar/ ser vocês...
Cada detalhe, som, risos palavras faladas ou caladas nos completam...
Esta é a verdadeira arte...

Ser Chapeleira é...


O que é ser chapeleiro?

É ter amigos, ter liberdade de trocar idéias, de fazer teatro, música... enfim compartilhar ações que envolvam a arte.

O que você busca no teatro?

Música, pesquisa, trabalho...

Que momento pra você foi marcante no grupo?

O convite para fazer a trilha de Alice!?

Você tira o chapéu pra?

Minha família e meus amigos

Você não tira o chapéu pra?

Aqueles que insistem em julgar

sábado, 16 de agosto de 2008

Rodapé... Entrevista no Aldeia



Introdução faça uma breve biografia, sua formação, atividades.

Na certidão, Tácia Graciele de Albuquerque Silva, mais conhecida como Tácia Albuquerque (ou ainda Tacita, Taça, Tacinha, Tassílaba... ), 23 anos e alagoaníssima.

Desde pequena, sou amante das artes e tenho admiração por todas as linguagens, por isto é comum vocês me verem por ai brincando, dançando, cantado ou pintando o sete rsrs Mas em cima dos palcos consigo unir estas artes e me completar.

Não gosto de ficar parada e estou sempre aprontando:
Posso graduação em Pedagogia pela UFAL (2008) Atriz, performen e integrante da Associação Artística Cia. do Chapéu. Sou Arte-Educadora e agente cultural de Teatro pela Secretária Executiva de Educação. Pesquisadora em Artes Cênicas vinculada ao NACE/UFAL. Integrante da comissão do Fórum Alagoano Permanente de Teatro.

Enfim, desenvolvo atividades na área de Artes, com ênfase em Interpretação Teatral, Intervenção Cênica, Performance, Indumentária e Ensino de Arte.

Como você começou na área de cênicas?

Em 2000, comecei a fazer teatrodança no colégio - CEAGB, com a prof. Nara Salles e foi fundamental para ampliar meu olhar sobre o Teatro e sua diversidade, a partir dai, comecei o Curso Técnico de Formação do Ator, além de participar de inúmeras oficinas, cursos, debates, palestras, leituras dramatizadas e espetáculos.

Sinto que estou sempre começando e muito tenho a aprender com meus amigos e todos que passam em minha vida, já tive o prazer de trabalhar com profissionais fantásticos e comprometidos, mas também já quebrei muito a cara... enfim, agradeço a todos, pois sempre aprendo.

Você participa desde quando da Cia do Chapéu? Que caminhos levaram o surgimento do grupo?

A Cia. do Chapéu, iniciou em 2002, não com objetivo de ser grupo, mas de um momento para reunir amigos e pesquisar Teatro. Inicialmente, nos encontrávamos no centro da cidade para realizar exercícios e propostas cênicas e depois debatíamos as experimentações. Estou desde o início do grupo e vivenciamos por muito tempo este processo, muitos amigos passaram e continuam conosco nesta busca.

Aos poucos foi que os transeuntes e comerciários, que estavam acostumados com nossas ações, começaram a nos rotular como um "grupo" e sentimos a necessidade de continuar as pesquisas não só nas ruas.

Assim, montamos o primeiro espetáculo do grupo "Apesar de Você", dirigido por Thiago Sampaio, depois passamos um longo período de dispersão, brigas, participação em outros grupos, estudos e descobertas (fundamentais para nosso amadurecimento).

Nesse período também começamos a realizar intervenções cênicas urbanas e encontramos/re-significamos nosso espírito interventor e artístico.


Motivados a atuar juntos, surge a idéia de montar a menina Alice, ela em busca de seu coelho, nós me busca de nossas identidades, nos re-aproximamos cada vez mais e...

De repente estavamos nós: juntos, produzindo mais, projetando, pagando aluguel de escritório, criando associação, quebrando a cabeça, rindo muito etc... etc...

Hoje somos nove chapeleiros: THIAGO, DONDA, PABLO, MARI, NATALHINHA, MAGNUN, LAÍS, FABRÍCIO e EU... crescendo com a ajuda de muitos amigos/parceiros...

Fala um pouco do episódio de como vocês chegaram ao nome da companhia. Porquê chapeleiros?

Lembra que falei: ... os transeuntes e comerciários, que estavam acostumados com nossas ações, começaram a nos rotular como um "grupo" ... Pois é, Magnun escutou e Thiago descreve bem:

Um dia, no centro da cidade, jogando com nossa arte, um transeunte que nos observava perguntou a outro transeunte que já nos havia visto outro dia: - O que é isso? E o outro respondeu: - É a Cia do Chapéu! Tudo começou a fazer mais sentido a partir daí!

Alice?! é o primeiro espetáculo de palco, dentro das atividades do grupo. Como começou esse projeto?

Alice é o segundo espetáculo do grupo e começou assim: uma menina, sem saber ao certo onde ia chegar... correu atrás de um coelho sonho... e...

Bom, com outro grupo tinhamos (Eu e Donda) tentado montar Alice, mas não rolou... sugeri a ele que nos dois montássemos uma adaptação dele, eu sendo Alice e ele os outros personagens (desafio): - Mas quem vai dirigir? Thiago! Pensamos.

No início, a idéia era montar Alice!? com 2 atores, mas durante os ensaios, sentimos a necessidade de um contra-regra para auxiliar: Isaac! Esse contra regra virou ator, que virou sonho...

No início, a idéia era montar Alice!? com 3 atores: eu sendo Alice e os dois os outros personagens... mas sentimos a necessidade de outros atores e faltando três meses pra estreiar, com várias cenas montadas e personagens divididos... chegam 3 contra-regras: Magnun, Laís e Mari...

A idéia era montar Alice!? com 6 atores...

O texto por fim, não foi a adaptação de Donda, foi criado a partir do livro "Alice no país da Maravilhas"de Lewis Carrol, de uma adaptação de Erisvaldo Tavares e Thiago Sampaio e de improvisações cênicas. O processo de criação de cenografia e indumentária também foi coletivo e todos chapeleiros de alguma forma contribuem no espetáculo.

Aprendemos muito com o público, realizamos muitos ensaios abertos, para discussão e construção do espetáculo e até hoje estamos em processo de criação, acrescentando ações, trocando personagens... ou seja, crescendo com a menina Alice neste nosso país da maravilhas: o Teatro...

Você esta em cena grande dos diálogos. Quais meios você busca para manter-se firme na condução das cenas do mundo da personagem Alice?

Como montar Alice era uma grande vontade e paixão, mergulhei numa pesquisa histórica, literária, psicológica e interpretativa sobre o espetáculo. Também realizei uma intensa investigação corporal e sonora, que vem se modificando em cada nova apresentação. Tudo isso me ajuda na interpretação, mas gosto muito de ensaiar, acho que é um dos melhores momentos para criar, além de ler o texto/livro e buscar aprender na interação com público e atores durante as apresentações.

O espetáculo até essa apresentação na Aldeia já existe há quanto tempo?

Completamos em junho um ano de espetáculo, com mais de cinco temporadas na cidade, além de apresentações no interior do estado.

E porque estão sempre em processo, mesmo mantendo os mesmo diálogos, cada vez que as apresentações voltam em temporadas existe algo novo em cena?


Pois é, sempre estamos inconformados, sabendo que podemos melhorar. Além disso, lembra que inicialmente eu fazia Alice e Jonatha e Isaac os outros personagens, Mari, Laís e Magnun eram sonhos - contra-regras... pois é tudo mudou, ops, quase tudo...

Um dos objetivos do espetáculo é experimentar a rotatividade dos outros personagens entre os atores, só permanecendo Alice e estamos experimentando mesmo. Cada nova temporada, surgem novas mudanças em algumas cenas e na troca de personagens.

Por isso para quem já viu, vale a pena conferir e para que ainda não, vale a pena conhecer.

Bjão!!